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"Homofobia e machismo andam juntos", diz novo blogueiro da Folha

Por Paco Llistó em 21/01/2011 às 18h55

"Homofobia e machismo andam juntos", diz novo blogueiro da Folha

A democrática e sempre atuante blogosfera brasileira saudou esta semana a estreia de mais um espaço virtual. Ex-titular da coluna GLS da extinta "Revista da Folha", o jornalista Vitor Angelo, 43, passou a assinar, desde a última segunda-feira, o "Blogay".

No blog, Vitor Angelo promete ser uma espécie de mediador das questões entre héteros e gays. Um dos planos do blogueiro é mapear os bares e clubes da região da rua Augusta, em São Paulo, e expô-los com detalhes em sua coluna. Os textos, garante o blogueiro, não serão dirigidos a um único público, mas, sim, a toda a diversidade de gênero e orientação sexual.

Co-autor de "Aurélia - A Dicionária da Língua Afiada" (2006), sobre o chamado pajubá, ou seja, os termos e expressões do universo homossexual, o "Blogay" surgiu para atualizar as discussões sobre a homossexualidade, já que desde abril do ano passado os veículos do Grupo Folha deixaram de abrigar uma seção específica para a comunidade LGBT. "Achei que a Folha estava um pouco atrasada", salienta Vitor Angelo, que promete atualizar a coluna "no mínimo uma vez por semana".

Confira a seguir a entrevista com o blogueiro.

Como surgiu o convite para escrever o blog?
Foi de um papo meio informal com o Sérgio Dávila [editor-executivo da Folha]. Falei que a Folha tinha terminado a coluna GLS, mas não tinha surgido nada no lugar. E ao mesmo tempo ela acabou bem na época da ascensão do Dourado [Marcelo Dourado, ex-participante do BBB10] e dos ataques homofóbicos [em São Paulo]. Achei que a Folha estava um pouco atrasada. Aí ele me escreveu no começo do ano falando: 'Vamos fazer um blog'. Achava que estava faltando a coisa comportamental, falar dos gays no jornal. Por exemplo, sempre quis fazer um mapeamento da rua Augusta...

E de que forma pretende fazer isso no blog?
Quero falar, por exemplo, do bar do Netão, falar da sua história, captar o espírito da coisa. Quero colocar um monte de fotos. Falar justamente do comportamento, que tem a ver com o gay. Para falar da noite, é inevitável não falar dos gays. A noite é um laboratório de vivência entre héteros e gays, que eu acho muito rico. E é daí que surge a tolerância. Por isso também pretendo falar para os héteros. Outro dia comentei que quem transa com travestis e transexuais é hétero. Ou são homens casados, é bem fetiche do homem hétero.

Mas não é diferente falar para o hétero? Não precisa ter um outro cuidado, por exemplo, com a linguagem?
Teve um hétero que falou que isso era um absurdo [héteros transando com travestis]. E gays também falaram. Mas são comentários machistas. A homofobia e o machismo andam juntos, casam muito bem com a sociedade patriarcal. Existe uma coisa perversa nessa história [de acharem que quem transa com travesti é gay], mas o fato é que é um grande fetiche dos homens. É muito pesado isso. Lembro que falei disso na Revista da Folha, daquela vez tive que maneirar o linguajar, e ainda assim tive uma boa resposta dos héteros. A sexualidade é muito ampla. Por exemplo, tem um caso maravilhoso de uma travesti famosíssima, a Gabi [Gabriella Bionda], que era casada com a Lu [Moreira], uma lésbica, das Mercenárias [banda de rock dos anos 80].

Você foi titular da Revista da Folha e, agora, escreve para um espaço virtual. O que há de intrigante nessa experiência com a mídia on-line?
O impresso dá a ideia de ser mais nobre. Claro que existe isso. Mas o meu espanto foi ver o alcance que eu tive na época da coluna. Recebia cartas etc. Com o blog, o tipo de comentário é diferente. Tem esse fetiche [do impresso], mas é antiquado. O resultado na internet me espantou. O fundo da internet pra mim é político. Nesse sentido, falar com outras pessoas me interessa mais. Acho que o jornal precisava de uma voz que completasse e respondesse essas coisas que estavam acontecendo. Essa coisa da homofobia, do que eu chamo de Contra-reforma, é muito preocupante.

Qual é a importância das redes sociais e da blogosfera para a discussão sobre a homossexualidade (ou da diversidade sexual, se preferir)?
Estamos vivendo um período de quase inquisição. Os héteros não precisam temer nada, são eles que estão no poder. Entendo como uma dissimulação do debate, quando o tirano se finge de vítima. Eu já achava muito importante [ter um blog]. Mas agora creio que é central. Foi bacana saber que gente que eu nem conheço comentou no blog. O blog está aí, mas não está sozinho. O grupo anti-homofobia [que tem perfil no Facebook e Twitter], por exemplo, é prova dessa militância virtual. Foi graças à internet que houve duas manifestações [contra os ataques homofóbicos em SP]. É graças à internet que o [cinema] Belas Artes não vai fechar. Isso não aconteceu do nada, mas por causa de um movimento que a gente viu na internet. Talvez eu pudesse ser muito crítico antes, mas hoje a internet é lugar para disseminar ideias, de discutir e fazer uma ação prática. A internet tem sido esse primeiro passo para alcançarmos uma certa coletividade, como era antes o movimento estudantil. E de uma maneira bem democrática.

Você já comentou sobre a ex-BBB Ariadna no seu site, mas tem acompanhado também a novela Insensato Coração, que promete pelo menos 6 gays na trama? Acha que a abordagem é fiel aos gays?
Somos muito tipos. Tenho amigo bicha que se veste de mulher e outros que são de torcida organizada. A gente é muito diverso, nos colocamos em grupos. Isso sem falar das lésbicas, essas experimentações do masculino e do feminino... Acho que a tentativa é interessante, no sentido de falar sobre todos os tipos. É difícil conseguir fazer um quadro que agrade a todos. Adorei o personagem do [Leonardo] Miggiorin [Roni]. Me cansavam as bichas normativas, os bonitões, que nunca se beijavam, eram perfeitos. Não que eles não existam também, mas é que estava uma visão muito vitoriosa.

Tem medo de censura? Você chegou a sofrer algum tipo de resistência por parte da própria Folha?
Por enquanto, não recebi nada. Na revista tinha um pouco. Não uma censura, mas uma limpeza. Eu sempre escrevia muito a mais. Teve uma vez que falei do sexo anal, e eles não gostaram. Eu entendo. O blog me parece um pouco mais livre...



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Comentários








FREEDOM: QUER ME ENGANAR ME DA BALA... E LOGICO QUE TODO "HETERO", QUE CURTE TRAVEST ADORA HOMEM, MAS É UM FRACO , ENRUSTIDO, QUE PRECISA DE UMA MULETA , DE UMA MASCARA PRA SE ESCONDER, E ISSO ELE CONSEGUE COM OUTRO HOMEM, VESTIDO DE MULHER. NOS SABEMOS PERFEITAMENTE QUE A MAIORIA DESSES "HETEROS", FAZEM PASSIVINHA COM OS TRAVES...

Cezário Aschar: Que os assuntos avancem na perspectiva do pró-ativo.

raul: Vcs já viram bicha que não transa com hétero, tirando os Entendidos boateiros, nunca vi! Qual gay já não transou com um colega de trabalho hétero, um vizinho hétero, um jogadoe de futebol hétero, tive até um amigo que transou com um skin red hétero,hoje bofes todos muito bem casados.Agora querem me convencer que quem come traveco é gay!?!? Queridinhas não sejam preconceituosos, transem com héteros e nunca mais vão querer deitar com uma bichinha.

Jorge Domingos: VIVA E DEIXE VIVER

Leitor: Do artigo, muito bom, pude sentir claramente uma percepção que já há muito tenho como "nosso futuro": a questão da Internet veio para mudar, definitivamente, nossas vidas. Certamente que não fosse por ela, não estaríamos aqui, em processo interativo e de divulgação de informações. Vitor Angelo afirmou que quando escrevia para o jornal (papel) tinha uma "limpeza" que tinha de seguir. Agora, no blog, sente-se mais livre. Creio estar aí um possível futuro onde, por exemplo, bem antigamente, o teatro foi um marco de uma civilização e hoje já não é mais (como era) - suplantado pela TV e cinema. A própria TV, cinema e jornais tradicionais, serão um dia parte de um passado que não pertencerá mais ao indivíduo como objetos do presente. E, talvez, tenhamos aí, uma nova maneira de viver... mais livre dos chavões (TV, cinema, jornais, revistas desde o século XIX) que se impuseram à nossa cultura humana de maneira tão homofóbica/heterossexista.

alex: Hétero que gosta de travesti é bissexual.A imagem de mulher tem um homen debaixo. homem gosta é de ser penetrado por uma mulher, e dama de pau só as travas.

Renard: É lógico que ele adorou o personagem "Roni", do Leonardo Miggiorin: pura questão de identificação imediata...tsc....tsc...Pelo menos admite que o oposto existe...

Everson: A sexualidade humana, ou melhor, o ser humano é tão diverso:- não dá e não se pode "julgar" esse ou aquele, essa ou aquela... DOIS GÊMEOS IDÊNTICOS NÃO SÃO IGUAIS... É necessário sim, ter blogs, colunas em revistas/jornais e televisão/rádio e porquê? Resposta:- tentar esclarecer que a diversidade sexual é uma coisa que existe desde que o "mundo é mundo", mas nossa sociedede escravocata e falsa-moralista sempre tentou condicionar a todos que só é correto um único "caminho"... Boa sorte nesta "nova jornada" Vitor...esclarecer e informar é sempre preciso.

Di: O JOTA-Ctba falou tudo.

RICARDO PESSOA LINDENBERG: Então o que faz o homem é a roupa masculina? Confesso que eu não sabia, olha pois então pobre dos escoceses, e dos padres, e dos muculmanos, e árabes e indus, etc...Todos lá com seus modelinhos de vestidos bem diferente de calças. O machismo pode até andar de junto com a homofobia, mas nem é de mãos dadas. São conceitos tão distintos até porque tem se algum exemplos de machos não homofóbicos e uma infinidade de "homofóbico" que nem são machos, por aí já se nota uma grande disparidade. Como pode? Eu aprendi recentemente que não são os hábitos sexuais de um ser que determina a sua masculidade e sim que o ser escolhe para seus relacionamentos.

adriano: A categoria dos homens que transam com as travas já existe [óooooh!] O cara na verdade é Bissexual, que são as pessoas que transam com com os dois únicos gêneros existentes. Falando nisso... só existe HOMEM e MULHER, o resto é rótulo criado no mercado pop industrial e cartesiano da sociedade do século XX e só servem para confundir e impor regras de dominio de acordo com o que vc faz na cama. E é aí que nascem as fobias, a violência, e o preconceito... tudo q for diferente do q a suposta maioria faz será alvo de estranhamento e rejeição.

JOTA-Ctba: Puxa ! pelo andar da carruagem, vão aparecer zilhões de comentários sobre a sexualidade dos rapazes que curtem transar com as traves. Putz... Será que vão querer criar uma categoria à parte para eles? Bem, talvez possamos tirar disso tudo uma bela conclusão: o humanus-brasiliensis adora rótulos. Toca Raul !!! "Eu prefiro ser... essa metamorfose ambulante..." Sobre o 'Blogay', cliquei, visitei, e gostei; mas, porém, contudo, todavia, entretanto... a palavrinha mágica 'gay' ainda faz acender o sinal amarelo, mesmo para aquele "friendly" mais simpatizantes do qual se pode ter notícia, o que pode resultar em uma certa distância de uma parcela de leitores ativos. Enfim, vamo-que-vamo pegando no tranco dos barrancos da história. Vou torcer pra pegar! Boa sorte, Vitor! Jota-CTBA

CARLOS: Hétero que transa com homem vestido de mulher [a travesti] é uma farsa! Hétero q é hétero so pega mulher de verdade e de origem, aquelas que nasceram e continuam com a vargina q Deus lhe deu! Mais uma vez a visão formatada predominante da sociedade vende uma falsa ideia e a suposta e esclarecida comunidade gay compra e aceita.

ELISANDRA: Ponto de reflexão: Homem hétero que come travesti [que é um homem vestido de mulher] é realmente hétero? Ou seria hétero aquele homem que só come mulher?

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