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"Uma igreja específica reforça ainda mais a exclusão dos gays", diz reverendo anglicano

Por Márcio Retamero* em 13/01/2011 às 16h21

"Uma igreja específica reforça ainda mais a exclusão dos gays", diz reverendo anglicano

Carlos Calvani é padre anglicano, teólogo e professor universitário. Atualmente coordena a Paróquia da Inclusão em Campo Grande (MS). Ele concedeu esta entrevista à coluna religião por e-mail. Conheça a Pastoral da Diversidade Sexual da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, presente em Goiás, São Paulo e outros estados da Federação.

Quando e como começou a Pastoral da Diversidade Sexual na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil?
Iniciou-se há cerca de 5 anos atrás com o Rev. Elias Vergara em Goiânia. No começo chamava-se "Pastoral homossexual".

Essa Pastoral acontece em todas as paróquias anglicanas no Brasil? O que é preciso para implementar isso em nível nacional?
Oficialmente essa Pastoral acontece somente em Goiânia (assumida em Concílio pela Diocese de Brasília como uma Pastoral Diocesana), em São Paulo (Paróquia da Santíssima Trindade) e em Campo Grande (Capela da Inclusão). Outras paróquias têm trabalho semelhante, mas por motivos diversos evitam utilizar esse nome.

A Pastoral da Diversidade Sexual conta com o apoio do Bispo Primaz da IEAB e demais bispos, bem como o clero das dioceses anglicanas?
O bispo Primaz atualmente é também o bispo de Brasília e Goiânia e apoiou essa pastoral em sua diocese, bem como no Distrito Missionário. O bispo da Diocese Anglicana de São Paulo também apoia o trabalho na Paróquia da Santíssima Trindade. Quanto aos demais, não posso responder por eles. Quanto ao clero, a maioria apoia.

Qual é o objetivo e a maneira de agir da Pastoral Anglicana da IEAB?
O objetivo é oferecer um espaço de acolhida e aceitação a todas as pessoas cujo comportamento sexual ainda é visto com desconfiança na sociedade. Inicialmente o trabalho era apenas com gays e lésbicas. Contudo, aos poucos foram chegando também seus pais, mães, irmãos e irmãs, amigos etc., que não eram necessariamente homossexuais, mas que também tinham outras questões de sexualidade a discutir, tais como frigidez ou impotência, compulsões sexuais, e queriam um espaço também para discutir esses problemas na perspectiva da fé. Por isso a mudança do nome "Pastoral Homossexual" para "Pastoral da Diversidade Sexual" aconteceu naturalmente.

Nos EUA, a Igreja Episcopal já conta com três bispos homossexuais, salvo engano e um número expressivo de clérigos e clérigas homossexuais. Como está a questão da ordenação de LGBT no Brasil na IEAB?
Esse assunto não é discutido canonicamente e, em minha opinião, não deve ser, pois é apenas no momento em que alguém explicitamente se declara homossexual que surgem as polêmicas. Há no clero brasileiro algumas pessoas assumidamente homossexuais e outros que, por motivos particulares, não assumem essa condição. A meu ver, a pergunta sobre a orientação sexual não deveria jamais ser feita durante o processo de avaliação de um futuro clérigo, tal como recomendou, no passado, a Câmara dos Bispos da Igreja da Inglaterra.

A primeira igreja inclusiva em solo brasileiro, a Igreja da Comunidade Metropolitana do Brasil, há 9 anos trabalha pela inclusão LGBT na comunidade de fé cristã. Outras igrejas inclusivas aparecem a reboque daquela, nos estados da nossa Federação. Qual é a diferença dessas igrejas inclusivas para a Pastoral da Diversidade sexual da IEAB?
Particularmente, do ponto de vista teológico, tenho dificuldades para compreender o conceito de inclusão e de catolicidade na ICM. Aprecio muito o trabalho da Igreja e inclusive cheguei a pregar na comunidade em Vitória (ES), quando se reunia na Capela da Universidade Federal, liderada pelo Filipe. Contudo, minha crítica diz respeito ao fato de que não acredito que o trabalho de inclusão se desenvolva a partir da criação de um grupo com excluídos, porque a Igreja acaba sendo conhecida como igreja de um grupo específico - "Igreja dos gays", "Igreja dos negros", "Igreja dos surdos" etc... O verdadeiro trabalho de inclusão no qual acredito é o oposto - as minorias excluídas permanecerem dentro das Igrejas tradicionais excludentes, forçando-as a se abrir e a reconhecer o verdadeiro significado da catolicidade - a inclusão. É isso que temos feito em Campo Grande, Goiânia e São Paulo. A Pastoral é uma das muitas pastorais da Igreja, mas não é o carro-chefe.

Existe um plano de trabalho ou parceria da Pastoral da Diversidade Sexual da IEAB com as demais igrejas inclusivas? Se não, por quê?
No momento não tenho informações sobre essas parcerias, talvez pelos motivos descritos acima. Imagino que boa parte da liderança da ICM seja oriunda de outras igrejas protestantes, pentecostais ou católicas e, se esse é o caso, em minha opinião, o trabalho de inclusão seria mais profético (embora mais doloroso) se exercido dentro dessas igrejas a fim de forçá-las a compreender o mistério do amor de Deus. O grande risco que temos com trabalhos separados é o de que, no futuro, essas igrejas continuem fechadas e existam dois tipos de cristianismo paralelos, discutindo qual deles é o mais fiel a Jesus.

A proposta da Pastoral da Diversidade Sexual inclui a militância política LGTB como as demais igrejas inclusivas no Brasil já realizam?
Sim, naturalmente. Em Goiânia, as pessoas que participam da PDS também apoiam a Parada Gay. O Reverendo Elias participa da passeata com uma faixa em nome da Igreja. Em Campo Grande, já temos uma parceria com a Associação dos Travestis do MS e pretendemos nos incorporar também à passeata e a outras iniciativas políticas e sociais.

Quais são as atividades da Paróquia da Inclusão em Campo Grande, horários e o endereço?
Por enquanto somos um ponto missionário, organizado há menos de um ano. Investimos muito na comunhão comunitária entre as famílias que frequentam conosco. Todas essas famílias estão já plenamente cientes da abrangência da Pastoral e do significado de Inclusão para nós. Não temos qualquer intenção de criar um culto separado para os gays ou uma igreja separada para eles, porque isso significaria reforçar ainda mais a exclusão. No momento, reunimo-nos no culto dominical às 19h e durante a semana temos estudos bíblicos ou cultos de oração. Nosso site é www.paroquiadainclusao.com.

A Verdade liberta?
A Verdade sempre liberta. Quando seguimos radicalmente a proposta de Cristo e do seu Reino aprendemos que todos nós, inclusive as pessoas que se "orgulham" de ser heterossexuais, são incluídas no corpo de Cristo pela graça e o amor de Deus, e por isso não devem julgar a ninguém.

* Márcio Retamero, 36 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói. É pastor da Comunidade Betel/ICM RJ e da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo. É autor de "O Banquete dos Excluídos" e "Pode a Bíblia Incluir?", ambos publicados pela Editora Metanoia. E-mail: marcio.retamero@gmail.com.



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Comentários








nyll: Eu não sei o que gay e lesbicas querem com religião

marcelo moraes de souza: como podemos combater a exclusão se criamos lugares específicos so para lgbtts? creio que não é esse o caminho

caetano: Esse é um debate muito polemico, do nosso tempo... Creio que a humanidade sempre avançou, mas não faltaram conflitos. Todos independente da orientação sexual, precisamos estar ligados a Deus, e há momentos, em que uma igreja é vem a ser muito necessária a vida de qualquer que seja o ser Humano. A somos homossexuais, mas somo humanos, dotados de alma, e o sopro do espirito em nós, não somos bichos, ou bichas, como queira, somos imagem e semelhança de Deus, enquanto seres capazes... Acontece que é em uma comunhao religiosa que nos realizamos enquanto seres socio religioso... Assim se as instituições não nos aceitam como somos, nos resta como aconteceram com outros excluidos do passado, criar o nosso próprio grupo aceitação... Foi assim com os protestantes e, hoje são uma potência que estão caindo nos mesmos erros que criticavam... Concordo com o reverendo quando diz que seria reforçar a exclusão, mas acredito que isso seria inicialmente e, se de um lado lutando dentro das instituições ex

Cesar: Já fui padre da igreja Catolica e deixei o ministério depois que resolvi sair do armário. Hoje dou graças a Deus por não ter que falar de Deus a ninguém... Pelo menos assim, não estarei confundindo ainda mais este valioso conceito na vida das pessoas. Ora, Confesso que gostei muito da entrevista e iniciativa do Pe. Carlos e de sua paróquia da inclusão. Contudo, não deixo de dar razões ao Paulo Campos quanto à dificuldade das "instituições religiosamente hierarquizadas" (Catolica, Anglicana, Evangélicas, entre outras...) se abrirem de fato aos gays, sem condená-los. Confesso ainda que, depois de assumir, minha vida se tornou muito mais limpa e transparente, diante de Deus e das pessoas. Não tenho no momento nenhuma necessidade religiosa, mas respeito quem a busca e onde busca. Tenha apenas muito cuidado, pois existe muitas contradições entre aquilo que se anuncia e aquilo que se vive e podemos ter como autentico testemunho de vida. estou buscando mais testemunhar com minha vida do que c

alessandro e cassio: queremos realizar o nosso matrimonio como fazemos; somos de goiania goias.tambem queremos saber qual e a igreja que aceita, ou se podemos contratar o padre ou pastor.obrigado.

COSME: PARA QUE QUE UM GAY PRECISARIA DE SER ACOLHIDO POR UMA IGREJA? ACEITO UMA COMUNIDADE RELIGIOSA?A ACASO É A IGREJA QUE PAGA SUAS CONTAS,PÕE O QUE COMER NA SUA MESA?

Rev. Carlos Calvani: Paulo Campos, vc é um idiota porque fala sem conhecimento de causa e não conhece a real situação da luta que muitos na IEAB fazem (às vezes contra a própria instituição e em detrimento próprio) em prol dos LGBTS.

wagner: Não sabe onde está o próprio nariz esse reverendo pois o que tem de mais exclusivo do que um gay entrar dentro de uma igreja e começarem a querer exorcisá-lo por conta de sua sexualidade? Pois se ele não sabe é isso que acontece em igrejas como as protestantes aqui no Brasil.

roberto: pessoas com comportamento sexual visto com desconfiança ,nao precisam ser acolhida, outras prioridades a religiao precisa firmar os olhos perante a sociedade ,pois sexo e feito entre paredes,mas as drogas a destruiçao do ser humano esta nitido em cada esquina , e a populaçao tendo que dar trocados para poder se sentir seguro nas ruas para nao ser vitima de um crime ,e um comportamento sexual visto com desconfiança nao poe em risco um ser onde luta e vive sua vida com diguinidade

Rev Márcio Retamero: Ao Paulo Campos: meu papel aqui é dar voz e vez a todos e todas que, de alguma maneira, trata a questão LGBT. Aqui eu não tenho outro partido ou causa senão a causa LGBT. Concordo com você em relação à homofobia cordial e trabalho na ICM pela inclusão radical, é a única que reconheço como inclusão. Mas as pessoas têm o direito de aderir ao trabalho ou não e tb de promover o que eles entendem como inclusão. Fique tranquilo! :)

Mazuk, PDS-Goiânia: Pessoalmente acredito que os LGBTs devam buscar a Deus onde se sentirem melhor, desde que sejam tratados com carinho e sem preconceitos. Acredito que a exclusão é antes de mais nada "anti-cristã", e onde existir duas ou mais pessoas reunidas em nome do Cristo ele estará, só não me lembro de Jesus ter dito que as pessoas para se reunir tinham que ser héteros... "Pessoas" é no plural e significa "todos". bjo. visitem nosso Blog: www.pastoraldadiversidadesexual.blogspot.com

Paulo Campos - Campinas SP: A IEAB é na verdade um arremedo de Igreja Católica, que pensa em ser liberal e desiste no caminho, NÃO são pró-gays verdadeiramente, assim como a ICAR ele tem "pastorais para os pobres desgraçados" Gays. Pergunte a um lider deles se celebram União Gay no Brasil, e você ouvirá um NÃO. Não existe a coragem de se posicionar como a Igreja da Comunidade Metropolitana faz desde 1968 que tem orgulho de ser chamada de Igreja dos Gays, dos pretos, das travestis e acolhe muito bem os heteros tendo alguns na sua liderança. Em São Paulo existe IEAB qase que totalmente frequentada por gays mas o Reverendo não pode se declarar gay "para não queimar a imagem" da Igreja. Isso pra mim é Homofobia cordial. Muito me admira o Rev.Marcio promovendo isso ai, quem será o proximo entrevistado? um Valadão???

Leitor: "Inclusão/Exclusão" - o termo é moda! A questão toda está se a igreja realiza (ou não) um CASAMENTO GAY. O resto é blá-blá-blá.

WANDA: QUE BOBAGEEEEEM!!!! Se as monas precisam de igreja, pra quê irem a um lugar onde SEMPRE serão discriminadas! FOFAS CORRAM PARA AS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS, POIS LÁ NINGUÉM AS JULAGRÁ, NEM AS DISCRIMINARÁ!

Ricardo Aguieiras: Reverendo Márcio, querido: confesso que não concordo muito com a postura do Pe. Carlos. Em primeiro lugar, por que perante o hediondo quadro de homofobia no Brasil, precisamos, nós, LGBTs, de ações afirmativas. Em segundo, por que acho que as Igrejas inclusivas têm sido a forma mais eficiente de contestar o fundamentalismo religioso. E, depois, se "A Verdade liberta", por que não estimular o assumir as orientações sexuais divergentes? Beijo!

Taniel: QUE BOM SABER QUE A COMUNIDADE LGBT TEM TAMBÉM ESTE ESPAÇO DE ACOLHIMENTO E RESPEITO INCONDICIONAL A SUA CONDIÇÃO SEXUAL. GLÓRIA A DEUS!

Roberto: O rei tinha seus interesses; existem padres e pastores de toda índole, da mesma forma que muitos usam a fé para fins negativo. Mas, temos que nos despir de nossos própios prenconceitos para podermos reconhecer que ações como as do Padre Carlos Calvani e do Pastor Márcio Retamero reabilitam vidas pelo amor e acolhimento. Se vocês, dos comentários anteriores, não precisam, que bom, continuem felizes. Mas não denigram o que não conhecem. Parabéns Márcio, pela divulgação. Roberto

André Sena: Excelente entrevista que mostra pontos de convergência mais fortes e outros mais brando entre Igrejas Inclusivas denominacionais e Pastorais Inclusivas. Ambas as iniciativas tem o seu lugar, embora os argumentos do Reverendo Anglicano acerca da tendencia a segregação de Igrejas mais fechadas fazer muito sentido. A ICM não corre certamente esse risco especialmente por ser uma denominação em franco diálogo com a diversidade em vários aspectos. Belo trabalho de entevista! Parabéns ao site A CAPA.

HeDC: Cada religião tem seus dogmas, preceitos, etc... se esta quer ajudar a combater os preconceitos deve antes de tudo exigir a LAICIDADE da sociedade, das escolas, do Estado! É preciso evitar brigas religiosas ainda mais considerando que as contrárias as causas LGBTTs são IMENSA maioria e adoram se intrometer onde não é devido. LAICISMO SEMPRE!

W.L.: Historica e histericamente a Igreja Anglicana foi criada por um rei cruel, adúltero e assassino de esposas (Henrique VIII). Não sei que autoridade moral tem pra estabelecer o certo e o errado...

Linda Emanuély: Gays excluídos da igreja? Será? Tem tanto padre e pastou beachíssimaaaaaa kakaakkakaakkaakka LINDA EMANUÉLY - SEMPRE LINDA EMANUÉLY!

Renard: Acho qualquer religião uma perda de tempo enorme; em nome da fé são cometidas as maiores atrocidades possíveis. Ninguém precisa de um canal (leia-se religião) para falar com Deus.

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