A Capa


O voto gay

Blog do Will em 05/10/2012


Dia desses New Normal, o novo seriado do Ryan Murphy, o fabuloso criador de Glee, tocou numa ferida ao abordar a questão do voto e dos preconceitos.

Um dos personagens era #teamRomney. O outro era #teamObama. O segundo defendia: "Obama é negro. É a diversidade". O primeiro rebatia. "Votar no Obama só porque ele é negro não seria mais preconceito?".

O episódio deslancha pra uma série de situações que escancaram a questão do preconceito, quando um dos personagens gays paga um garçom negro para este se fazer passar por amigo dele.

Estamos às vésperas das eleições municipais. Uma série de candidatos gays concorrem em vagas legislativas por todo o país. Olha. Política sucks, tá legal? Não tenho muito estômago pra discutir isso.

Pra mim interessam alguns discursos apenas. Não dos candidatos. O do senso comum me interessa mais. Então vou tentar fazer um contraponto meio absurdo aqui. 

Por anos a fio em épocas de eleições lia que não interessava a orientação sexual dos candidatos e sim saber seu histórico, se ele era honesto e coisa do tipo. Dizem que o importante  é se informar e votar bem.

Bullshit. Muita gente não lembra em quem votou nas últimas eleições. Eu lembro. Meus candidatos não entraram. Mas gente, contra as balelas da vida, vamos ser práticos. Se todo mundo fizesse isso de pesquisar e votar bem, a gente não teria essa política que tem.

Parlamentares de modo geral ganham muito e produzem pouco. E eles não vão fazer uma lei reduzindo os próprios salários. Então, se até agora eu não fui claro e não disse a que vim, vou ser mais direto: vote num candidato gay.

Sim, meusa migos. Vamos eleger as bichas desse país. Olha, nas últimas eleições o fenômeno Tiririca foi muito mal compreendido. Muitos viram como piada, muitos enxergaram nele uma possibilidade de voto de protesto. Sua eleição não foi uma surpresa. O fato de ele estar entre os melhores deputados na votação do Congresso em Foco deve ter sido.

Jean Wyllys é outro que era colocado no balaio dos candidatos mitológicos. Gay e ex-BBB era merecedor de chacota que se destina a quem participou do reality. Nem todo mundo acompanhava a produção mais acadêmica ou intelectual do Jean fora dos holofotes. Sempre o achei inteligente. E nunca o olhei com ares de folclórico.

Até porque folclórico é tipo o Agnaldo Timóteo que vai defender pontos de vista reaças no Superpop. A gente precisa de umas bichas na política. De gente mais libertária, mais progressista.

Sem falar no efeito midiático da drag vereadora. Dá nota, matéria, audiência. E vocês adoram isso que a gente sabe. É só olhar os portais de notícias e o Facebook de vocês. Quem aqui lê a parte de política dos jornais? Quem aqui lê jornais?

Vamos lá gente. Votem nas gays. Vamos encher de brilho e purpurina essas câmaras municipais, por favor. Ninguém aqui garante que candidatos gays serão bons. Estou só propondo um desafio.

Sexualidade não é sinônimo de caráter e honestidade. Mas se for pra escolher eu preferio uma bicha corrupta, só pra variar um pouco. Pensem em maquiagens, roupas, sapatos, viagens e marcas como Versace, Armani, Prada. Nosso dinheiro, se por ventura desviado, seria muito mais bem gasto pelo menos.


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Uma série de coisas preocupantes tem acontecido no mundo nos últimos tempos. Ao longo do século XX a humanidade não passou nem um ano sequer sem guerra. O cenário atualmente é: crise financeira, conservadorismo avançando em diversos países - inclusive com um crescimento do pensamento neonazista, xenófobo.

Não há dia em que a palavra crise não está estampada nos jornais. Colunas e reportagens destrincham a situação. Explicam que a esquerda criou um monótono estado de bem estar social na Europa, causado por endividamento e acompanhado da falta de produtividade. É, dizem os especialistas, o que tem motivado a população insatisfeita a votar na direita e seu neoliberalismo from hell - principalmente nos países onde o desemprego está na faixa dos 40%.

Não sou nenhum entendido em economia e política internacional. Mas esse avanço de ideias mais conservadoras me deixam bem preocupado e bem desanimado. É como se o mundo estivesse ficando um lugar mais chato para se viver. Você acorda e entra nos grandes portais de notícias. Clica em todas as notas.

No final do dia, passadas muitas horas, a impressão é de que as notícias são as mesmas e mais nada de importante aconteceu ali. Os assuntos também parecem só fazer bocejar. Causam um danado arrefecimento. Tudo muito asséptico, limpinho. Ninguém mais perturba a ordem nesse país? Só Bolsonaro e Rafinha Bastos?

Cadê as contestações de verdade, os grandes pensadores? O movimento social? E o sexo, gente? Ninguém mais faz sexo? Vocês todos estão muito estressados, nervosos, insatisfeitos. Queria uma pesquisa séria sobre a vida sexual do brasileiro. Pra entender direito o que se passa com vocês e pra não me sentir mais quase um celibatário.

Se envolver com as pessoas. Transar. Está cada vez mais difícil. Amar alguém então, se entregar? Tá mais fácil terminar Super Mário 3 do Super Nintendo. Até a pornografia e a pegação está vetada nos manuais de conduta da nova moral vigente. Francamente.

Também está difícil formar opinião. As pessoas que já tem as suas opiniões formadas sobre as coisas podem levantar as mãos para os céus e agradecer. Há um debate no momento sobre o PLC 122/06 - que criminaliza a homofobia - que deve ser colocado em votação amanhã na Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Ao que tudo indica, parte do texto do projeto foi cortado em uma negociação da Marta com Crivella e setores da igreja. Há um monte de gente contra e gente séria. Do Pomba ao Jean Wyllys, passando pelo Vitor Ângelo. Diz que o Luiz Mott e o Beto de Jesus também são contras o texto atual. E agora, José? Que posição tomar? O que do projeto foi mudado? O que vai acontecer se o PLC for aprovado como está? A comunidade ganha ou perde?

Acompanhei por uns três anos a trajetória do PLC 122/06 assim que ele chegou ao Senado. Na real, o A Capa foi um dos poucos sites que noticiou esta conquista, que só aconteceu porque os deputados contrários ao projeto deram uma cochiladinha às vésperas do recesso daquele final de 2006.

Este site noticiou uma série de tentativas em que a então senadora Fátima Cleide tentou colocar este projeto à votação. Todas travadas por pedidos de vistas mal intencionados de gente baixa como o Crivella e permitidas pelo próprio regimento parlamentar. Com a Marta a visibilidade do PLC aumentou. A imprensona parece ter acordado para o assunto - talvez por conta dos ataques homofóbicos no Rio e em São Paulo.

Ainda assim não sei que posição tomar em relação a isso. Tenho só uma leve impressão de que aprovar o PLC 122 - mesmo com o texto alterado no que diz respeito aos religiosos - pode sim ser bom. Os dois lados, nas no entanto parecem ter fortes argumentos válidos. E parecem ficar se atacando. O que faz cair um pouco a qualidade do debate.

Ontem chegaram até em falar em censura no Twitter à tag sobre o PLC 122. Será? Não é esse o tal vitimismo gay que o Aguinaldo Silva se refere? A tal da tag não virou Trending Topic - ou virou? Acabei nem acompanhando, confesso - por falta de adesões/menções ou censura do Twitter? Enfim. Só algumas reflexões. Agora cês que se resolvam aí. Da minha parte, só espero é não cair na malha fina da Receita amanhã.


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O cara mala

Blog do Will em 11/11/2011


Estudamos juntos certa vez. Mas ele era uma pessoa chata. Era não. É. Enfim. Acabei saindo do curso por motivos de força maior, mas tenho amigos que continuaram. Às vezes almoço com eles e vez ou outra falamos mal do tal figura.
 
Mas não assim um mal gratuito. Um mal porque o cara é mala, meio irritante. Pra mim, ele nunca fez nada de mais, mas suas perguntas mal formuladas e comentários nos momentos mais inadequados só me fazem soltar aquele simpático sorriso amarelo.
 
Outro dia comentamos em um desses almoços o seu perfil no Facebook. E eis que um desses amigos falou que o tal do cara mala passava a imagem de ser arrogante. Daí eu parei pra pensar cos meus botões...

O cara é chato e tudo que tem de ruim. Tem uma meia dúzia ou outra de vídeos bestas na internet, mas arrogante arrogante ele não é. Pode ser meio besta, metido a intelectualoide e o escambau, mas arrogante é uma característica que não lhe cai bem.

Daí foi inevitável pensar que sobre certas (muitas) coisas da vida a gente não tem muito controle. A gente pode até achar que está abafando ou que estamos por cima do topo e daí tumpf.

Alguém que está de fora, lá longe a nos observar, tem essa ou aquela impressão da gente, que não condiz muito bem com o que a gente quer mostrar. Isso quando essa impressão já não é uma ideia fixa. Porque aí não tem jeito.
 
Dificilmente as pessoas irão falar o que pensam na nossa cara e por mais que você procure tentar mudar sua imagem, seu esforço será em vão. Porque aquilo - aquela imagem que têm sobre você - já estará cristalizado.

E não há coisa mais difícil nesse mundo que fazer alguém mudar de opinião. Então a gente segue. Vivendo do jeito que dá. Sem tentar ligar muito para o que os outros acham da gente.

Tentamos nos policiar nas redes sociais. Pensamos um milhão de vezes antes de falar. Ou depois que já falamos - o que às vezes é inútil, vocês sabem. Ou nos calamos, para evitar mais confusão.

Então a gente segue. Vivendo do jeito que dá. Mas como?


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Will

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William Magalhães é jornalista. Aqui ele fala o que der na telha.

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