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A paixão

Blog do Dykerama em 04/11/2011


Dizem que paixão é uma coisa que não controlamos. Não concordo. Acho totalmente controlável. Mas somente para mais. Pra mim a gente só escolhe se vai se apaixonar mais ou mais, mas desapaixonar é improvável.

Paixão deixa a gente com os pés nas nuvens, sorriso de canto e pensamentos lascivos o tempo inteiro. Faz a gente acordar quase de madrugada pra se ver e mesmo com muito sono, no dia seguinte chegar sorrindo no trabalho. Faz a gente comer mais do que deveria, se exercitar mais do que poderia e chegar atrasada quase sempre.

Então, como acabar com uma paixão? Como terminar uma coisa tão gostosa? Sim, porque a gente só termina quando as coisas estão ruins e não o contrário.

Acho que paixões não terminam, evoluem. Não vejo outra forma de um relacionamento começar que não seja pela paixão. E não vejo uma forma da paixão acabar que não seja pelo amor.

E se mesmo assim, por um motivo muito forte tiver que acabar, sempre restará aquele sentimento de " e se..." e portanto, não terá acabado, apenas estará em estado de espera. Esperando o momento certo para seu objetivo final, o inevitável acerto de contas com o amor.

Depois, o problema é do Amor, e de tudo que lhe compete. As sensações são diferentes, porém, não menos recompensadoras. E mesmo o Amor, acho que é infinito sim. Porque infinito é o sentimento, e não o compromisso.

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Primeiro a aprovação da união estável pelo STF, depois o Bolsanaro proferindo seu ódio aos ventos sem o menor pudor. O SBT foi ar não com um beijo lésbico, mas dois! A novela insensato coração tem mais gay do que meu prédio, a parada gay foi dia 26 de junho e agora, Myrian Rios comparando homossexualidade a pedofilia.

Tenho percebido um grande movimento de pessoas com cargos importantes, e da mídia, a respeito de questões polêmicas principalmente no âmbito da homossexualidade. Muito movimento mas pouco esclarecimento.

Acho muito importante debater, pois demonstra que ao menos estamos falando a respeito, coisa que no passado era um tabú. Porém esses debates não estão nas questões da igualdade de leis para os homossexuais como deveria ser e sim, no direito desses cidadãos e seus seguidores de expressar sua opinião - contrária - sobre a homossexualidade.

Ora, convenhamos que cada um pode e deve pensar o que quiser sobre qualquer assunto, seja ela de cunho homossexual ou não, por favor, tenha opinião! Mas o que precisa ser compreendido pela população e principalmente pelas oposições é que igualdade de lei não existe para igualar pessoas e sim para igualar direitos. Nenhuma lei, nunca, jamais, igualará as pessoas, apenas os diretos e deveres delas como cidadão.

A aprovação de igualdade de leis para homossexuais não prejudica a vida de nenhum outro ser humano na face da terra. Ao contrário, beneficia aqueles que são injustiçados pelo sistema, alivia a angústia dos seus familiares e proporciona uma qualidade de vida melhor para a sociedade. Além de melhorar a arrecadação do Estado.

Mas não. Não no Brasil. Aqui no Brasil, as pessoas não tem nível para debater nenhum assunto de cunho homossexual. Elas confundem as leis da sociedade com as leis divinas. Confundem igualdade de leis com influência dos homossexuais nas escolas. Confundem o que sentem com o que disseram que deveriam sentir. São alienadas naquilo que está escrito e não naquilo que ela mesmo refletiu com seu poder intelectual.. Não. Aqui nesse país os homossexuais ainda são vistos como pervertidos, pedófilos, perturbados e drogados.

Ora, a perversão existe na cabeça de quem a tem e isso independe do que ela é. Eu, NUNCA, JAMAIS, toquei ou tocaria numa criança. Eu, NUNCA, JAMAIS, estuprei ou estupraria uma mulher. Eu NUNCA, JAMAIS, chutei ou chutaria um morador de rua. Pago impostos, declaro meu IR, acordo cedo para trabalhar, sou boa filha, boa irmã, boa amiga. Tenho uma relação estável a 6 anos e convivo com crianças normalmente. Não fico tentando convencer ninguém a ser gay e muito menos dando em cima. Não acredito que o mundo é gay e somente acredito que o mundo é HUMANO. NÃO ME CATALOGUE!Agora, tem um monte de gente que não trabalha, desvia verba, sonega impostos, bate em mulher, estupra, desrespeita os idosos, joga lixo no chão, urina na rua, deixa o som alto as 5h da manhã, alimenta o trabalho infantil e escravo mas não é homossexual.

Ainda assim a lei é igual pra essas pessoas. Desvio de conduta nada tem a ver com a forma como você encontrou sua felicidade. Haverão pessoas mal educadas, criminosas e pedófilas em qualquer meio. Ninguém precisa me engolir. Pode continuar me julgando uma escória da humanidade porque eu sou gay. O que vocês, pessoas de cérebro tacanho - e isso inclui gays e não gays - não entendem, é que falta de educação e desrespeito ao próximo não é definido na cama, mas, sim fora dela. O que me leva a pensar que quem tem problemas, são essas pessoas.

Eu sou bem inteligente. Seria muito mais fácil eu me casar com um homem e ter filhos, porém viveria uma vida mentirosa para agradar os outros, mas ainda assim, seria mais fácil. Não escolhi o caminho mais difícil porque sou safada. Eu escolhi assumir porque é mais honesto com minha família, com meus amigos e comigo mesma. Mas eu poderia ter casado e trair meu marido com mulheres, seria mais fácil, mas não sou hipócrita.

Myrian Rios, é claro que você tem o direito de mandar embora sua babá porque você tem um pré-conceito de que todas as lésbicas são pedófilas, mas por favor, fica quietinha pra eu gostar de você. Eu prefiro ter um filho viado do que um filho Myrian Rios!


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Quanto Absurdo

Blog do Dykerama em 01/02/2011


Muitas vezes nos deparamos com aquele velho chavão de "eu não entendo, uma menina tão bonita como você poderia ter o homem que quisesse" ou pior "eu não entendo como um homem pode não gostar de mulher" ou "eu não entendo o que leva uma pessoa a vestir-se com gênero diferente do dela" ou "seu rosto é tão bonito, não entendo porque você não é magra".

"Não entendo" pra mim é sinônimo de "não aceito".

Nessa salada de informações e polêmicas, eu pergunto, o que você, leitor desse humilde blog, não entende? Sim, porque muita gente não entende nada, mas ninguém nos pergunta: O que te choca?

Aqui, eu falarei por mim. E acredito que muitos dividem o mesmo sentimento.

Mulheres peladas na televisão me choca. Eu não aceito. Sim, elas estão peladas! Eu sinto vergonha alheia daquelas mulher expondo-se ao absurdo de mostrar seus órgãos sexuais, vergonha pelas esposas que estão próximas de seus maridos babando com um ser humano ao seu lado. E vergonha das filhas e netas que presenciam uma visão míope da realidade de seus corpos.

Aí todo mundo tem opção. Então tá, muda de canal e uma gostosona está fazendo propaganda de óculos de grau vestida de biquíni (!). Se televisão tivesse cheiro seria tão agradável um bunda esfregada na sua cara depois do almoço?

O que eu faço a respeito? Troco de canal e escrevo.

Me choca gente que ainda joga lixo na rua e sofá no córrego.

O que eu faço a respeito? Assisto e escrevo.

Me choca receber uma multa por andar no corredor de ônibus quando naquele dia e horário um marronzinho estava mandando todo mundo pegar o corredor em razão de um acidente que fechou as outras pistas. Me choca também a quantidade de buracos nas ruas. O que eu faço a respeito? Recorro a multa e se acatarem bem, se não acatarem, azar o meu.

Meia branca de algodão com calça social me choca. O que eu faço a respeito? Dou risada.

Não entendo gente que dá o rosto pra beijar mas não faz estalinho. O que eu faço a respeito? Agarro novamente e peço um beijo com estalinho.

O consumo acelerado de coisas que não precisamos realmente me assusta. O que eu faço a respeito? A minha parte.

Desconfio de gente que entra em redes sociais sem foto no perfil. O que eu faço a respeito? Não aceito como amigo.

Gente que grita pela janela do ônibus: "E aí vagabunda, que saudade!" Vagabunda não é ruim? Sei lá. O que eu faço a respeito? Finjo que não conheço.

Uma pessoa achar que o estado de SP ser 33% do PIB nacional é legal, me decepciona. Poxa, legal seria se todos os estados do país tivessem seu PIB fortalecido e o estado de SP fosse 1000 vezes melhor por não precisar dividir tanto seus lucros com a união. Concentração de renda não é bom pra ninguém.O que eu faço a respeito? Discuto e escrevo.

Me faz rir o Luciano Huck e a Angélica na capa da Veja como exemplo de casal moderno. Como assim exemplo? Eu adoro os dois como pessoas da mídia mas não sei se eles tratam bem as pessoas mais próximas e um ao outro. Não tenho a menor idéia de como se comportam em sua intimidade. Exemplo, pra mim, são os casais que na dificuldade real superam seus problemas e continuam juntos até na pobreza.O que eu faço a respeito? Não compro a revista.

Me choca o corporativismo do tapinha das costas.O que eu faço a respeito? Lamento.

Me entristece tanta guerra e tantas pessoas com fome. Os estupros e apedrejamentos. Não aceito a violência doméstica e o abuso infantil. Ignorância e intolerância me emputece. O que eu faço a respeito? Rezo.

Me irrita gente com uma vida tão medíocre que precisa falar da vida dos outros para sentir-se vivo. O que eu faço a respeito? Desprezo.

Taxista que cita a bíblia o percurso inteiro e no final me engana fazendo caminhos mais longos para cobrar R$ 8,00 a mais na corrida é um absurdo. O que eu faço a respeito? Nada. Eu denunciaria, mas acho que isso prejudicaria o fulano e ele deve estar precisando mais do que eu.

Acho que essa lista teria mil outras coisas, mas a conclusão geral é: Se você não tem capacidade de entender, apenas aceite. Já imaginou se tudo que me choca na lista acima eu fizesse algo direto para mudar? Eu bateria no taxista, mataria pedófilos e cuspiria nos marronzinhos. E mesmo assim não resolveria.

Porque tem mil outras coisas que não entendemos e não aceitamos e que podem ser mudadas para o bem comum de TODOS e não apenas de si mesmo.


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