A Capa


À minha maneira, de forma bastante particular e, sobretudo, livre de grupos, partidos, associações ou qualquer outra forma de agregação de pessoas, eu milito a favor do movimento LGBT. E, como diria Harvey Milk, milito nele porque, acima de tudo, acredito que este movimento luta pelas nossas vidas...
 
Mas tem horas que tudo isso cansa...
 
Primeiro pelo preconceito em si, sofrido tão gratuitamente e tão injustamente por gente que, pelos atos cometidos contras os homossexuais, nem deveria receber esta classificação. Segundo porque, além de nossas vidas particulares, ainda temos que pensar em tantas ações e reações para matar o tal leão diário.
 
Muitas vezes se espera demais de poucas pessoas. Muitas vezes esses poucos também não acreditam no poder da maioria e pouco a pouco, a luta contra o preconceito, ou melhor, a luta pela vida vai se perdendo entre uma reunião e outra, entre um grupo e outro que discordam, entre um partido e outro, entre filosofias dissonantes.
 
Tem horas que tudo isso é tão chato...
 
A vida deveria ser mais simples, deveríamos viver sem medo nossos desejos, nossos sonhos e tentarmos ajudar uns aos outros. Mas não, a gente faz tudo para complicar. Criamos intrigas, somos invejosos, duvidamos uns dos outros, competimos por posições e cargos e por aí afora... Isso tudo porque em nossas vidas particulares já temos zilhões de problemas a serem resolvidos.
 
Sinceramente???
 
Decidi que quero ser feliz e que ninguém, absolutamente ninguém, será capaz de me fazer sentir o contrário. Quero ser e fazer feliz quem estiver ao meu lado e o joio, a gente espera o tempo da colheita, e joga na fogueira...
 
E quero dançar, dançar e dançar... Afinal, como diz o velho dito popular: quem canta (e dança – adaptação minha) seus males espanta...
 
Tá dado o recado...
 
Beijo, beijo, beijo... Fui...


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Ontem, domingo, meu namorado e eu resolvemos, depois do almoço, ir até um parque que não conhecíamos. O parque é relativamente pequeno, talvez algo como o parque Trianon, que fica ali na Avenida Paulista, porém mais estruturado que este. Entre os freqüentadores, senhoras tricotando (literalmente), alguns poucos atletas de domingo correndo pelo parque e crianças, muitas crianças... Junto com elas seus pais, casais na faixa etária que variava entre os 20 e 40 anos.
 
Depois de uma volta pelo parque e já não tendo muito o que ver, afinal, o que seria uma cascata - a atração principal do parque - já não estava funcionando. Resolvemos sair dali. No percurso que nos levaria até o carro uma cena me chamou a atenção: o carro parou e dele saltou uma criança de 3 anos talvez, a mãe já estava em pé ao lado da porta do passageiro e dentro outra criança mais velha gritava com o bebê que andava pela calçada. A mãe, então, falou gentilmente ao marido (e talvez pai das crianças) que saísse do carro logo: "Vai gordo!!! Fica embaçando..." ao que ele, mais gentilmente ainda respondeu: "Tá com pressa, vaza..."
 
Deixando esta "família feliz" para trás e já bem próximo de onde estava nosso carro, meu namorado e eu olhamos para o céu e agradecemos quase que em uníssono a dádiva de ser gay. Afinal, sendo homossexuais não precisamos cumprir com algumas regras impostas por uma sociedade heteronormativa.
 
Pra mim, desde que adquiri uma perspectiva mais crítica sobre a sexualidade humana, a homossexualidade sempre me pareceu algo revolucionário, transgressor ou contestador. Pelo menos, mais que a heterossexualidade. Não sem razão, o francês Guy Hocquengheim, em 1993 afirmou: "...o buraco do meu cu é revolucionário". A questão não está no ânus propriamente dito, mas no que se faz com ele. Ao ser penetrado, ao atuar passivamente numa relação sexual, os homossexuais quebram com um forte e longo padrão cultural. Daí, talvez, o fato de alguns verem na homossexualidade uma ameaça à família, aos bons costumes, à moral e até a religiosidade. A questão é que, ao ser penetrado, o homem deixa de cumprir com um código moral que é imposto há séculos, ele "deixa" de ser homem e vira "mulher", segundo é claro, um pensamento conservador.
 
No entanto, acho curioso (e não acredito ser um erro), até porque cada um tem todo e completo direito de levar a vida do jeito que melhor acreditar, porém, não posso deixar de perceber como, mesmo no gueto homossexual, os padrões heterossexuais tem influência sobre nós.
 
Um exemplo do que estou falando acontece em shows nas boates pelo Brasil afora... Geralmente os shows de dublagem são interpretados por transformistas, drag queens, travestis e trangêneros que assumem o papel feminino. Até aí, sem problemas... O fato é que esta personagem feminina sempre desempenha uma conduta heterossexual em cena. Digo personagem, me referindo à imagem que estamos vendo no palco, não nos atentando à identidade de gênero ou papel sexual desempenhado pelos respectivos atores em suas vidas reais. Até porque, transformistas, drags, travestis e transexuais tem maneiras particulares de interpretação de si mesmos e todas muito dignas de respeito.
 
A questão é: porque uma drag, por exemplo, sempre faz um par romântico com um "homem" em cena e nunca com outra drag, ou travesti, demonstrando a diversidade sexual que a nossa própria condição homossexual carrega??? Sempre estão em cena um arquétipo feminino e outro masculino....
 
A pergunta que me faço é se realmente estamos tão livres deste padrão cultural imposto como acreditamos e dizemos estar. Outra pergunta que me faço é: porque gogo boys, por exemplo, mal se tocam quando estão no palco? Não é uma casa gay??? Será que ao se tocarem não deixarão de povoar o imaginário homossexual de que aquele é um "homem real" que poderá, de alguma forma, ser conquistado por um homossexual???
 
Enfim... São questões como estas que me lembram as sábias palavras de uma das maiores atrizes deste país, quando disse: "No palco não existe homem, nem mulher. Existe talento". Concordo em gênero, número e grau com Fernanda Montenegro.
 
Tá dado o recado...

Beijo, beijo, beijo... Fui...


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Esta semana, os sites noticiaram que três homens foram condenados à morte no Irã. Motivo: sodomia. Segundo as leis do país, a homossexualidade é considerada crime e a pena é a própria vida. Claro que penas como essas são raras, não porque não existam homossexuais no Irã como diz o presidente ou porque o governo não persiga as pessoas que se relacionam sexual e afetivamente com outras do mesmo sexo. O que acontece é que, outros expedientes são utilizados para mascarar a penalidade por conta da orientação sexual, afinal, as entidades mundiais que defendem os Direitos Humanos, são bastante duras em suas criticas nestes casos. Daí fica mais fácil e prático condenar estas pessoas por estupro ou outro crime que tenha a mesma pena que a "sodomia".
 
No Brasil não era diferente. No começo do século XX, a vadiagem era considerada crime e muitos negros, homossexuais e pessoas de baixa renda foram presas e condenadas por este antigo artigo do Código Penal Brasileiro. Afinal, diferentemente do Irã e outros países, a homossexualidade nunca foi crime no Brasil, salvo, claro, no tempo da Inquisição.
 
Muitas vezes ficamos chocados com essas notícias vindas do oriente, sobretudo destes países que embasam suas leis de acordo com as crenças no Islamismo. Imaginar que alguém é condenado à morte por conta de sua orientação sexual é realmente bastante estranho e chocante para nós. No entanto, se pensarmos bem, qual é a diferença no Brasil???
 
De fato, como disse anteriormente, não temos nenhuma lei que puna a homossexualidade. Pelo contrário, recentemente, o Supremo Tribunal Federal estendeu aos casais homossexuais os mesmos direitos que são dados aos heterossexuais. Mas ainda não é o casamento civil, mas estamos indo neste caminho certamente...  Porém, a cultura brasileira é a responsável pela condenação aos homossexuais, inclusive condenando-os à morte, igual no Irã. Não tenho dúvida nenhuma que morrem mais homossexuais no Brasil, por conta da homofobia do que no Irã por conta da lei que condena a sodomia.
 
Concordo que, no caso do Brasil, não é o Estado que aplica tais penalidades, mas a própria população que se baseia nos diferentes conceitos e preconceitos para condenar tal prática. Seja por questões religiosas, por ideologias fascistas ou por puro preconceito e ignorância, nós homossexuais acabamos sofrendo na pele com as agressões verbais e físicas que nos são dispensadas. E muitas vezes, o Estado que deveria nos defender fica numa posição omissa e inúmeros são os casos de policiais que não fazem nada ao receberem uma denúncia de violência, ou então juízes que julgam baseados em conceitos religiosos deixando de lado a questão da laicidade do Estado e do direito de cidadania caros a todos os brasileiros.
 
O Brasil está longe de ser um país que se preocupa com a cidadania de todos os seus filhos. As pessoas homossexuais são alvo de agressões desde a infância e adolescência e continua durante toda a vida adulta. E a morte física não é a única conseqüência que acabamos sofrendo, pelo contrário a morte da nossa cidadania é muito freqüente e poderia citar inúmeros casos que comprovem isso.
 
Se o Irã é cruel com seus cidadãos homossexuais, o Brasil não fica atrás...
 
Tá dado o recado...
 
Beijo, beijo, beijo... Fui...


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A drag que fala o que pensa... E sempre pensa no que fala!

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